Monday, June 30, 2008

Stencil é informação


Há quem duvide da autenticidade artística do Graffiti e do Stencil, mas não há como negar seu poder de comunicação. Seja no caso abaixo, como o prefeito da cidade mineira de Juiz de Fora, acusado de corrupção e graffitado da forma como a população gostaria de vê-lo (e está vendo), em trajes menos elegantes:

Desde o fim do ano passado, as pessoas têm notado a transformação estética da cidade. Enquanto os governantes em suas salas de jantar se preocupam em nascer e morrer com o dinheiro público, jovens cidadãos, angustiados com o descaso moral e a falta de oportunidades expressivas, passaram a colorir e/ou depredar a área urbana da cidade com stencils e graffitis. Há quem diga que e sujeira, há quem fale que seja arte, a questão é que a expressividade que estava latente, agora está exposta e também é notícia e comportamento. Abaixo está matéria publicada no jornal Tribuna de Minas (de JF) e uma página dupla de um zine local (S+S+A).
Clique nas imagens para ampliá-las:

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Friday, June 27, 2008

É arte apenas

Já que escolhemos viver em sociedade, corremos o risco de ver nossos desejos julgados o tempo inteiro pela mente alheia. Entretanto, esse julgamento, classificando tudo como bem ou mal, também está presente em nós. Algo como um Superego que nos atormenta dizendo que estamos errados, que iremos sofrer as consequências de nossos atos. Isso nos introjeta a paranóia e o bloqueio para agir. Dessa forma, não conseguimos nem pensar em outras possibilidades de interferência e atuação dentro de nossa sociedade. Assim, continuamos acordando todos os dias e indo para o trabalho aparentemente insatisfeitos com o salários, porém verdadeiramente putos com a própria neurose que nos impede de sair do esquema.
A arte é diametralmente oposta a esse bloqueio. Ela até vive de tormentos e dúvidas, mas acontece a partir da liberação criativa. A liberdade só é impedida pela técnica, sua falta, principalmente. Pois o artista, esse sim, vive dos olhos dos que julgam. A criação alimenta um átimo do criador, mas sua repercursão preenche o resto. Ao se interagir com a sociedade através da arte, o sentido transgressor e comunicativo precisa se evidenciar e nesse momento, a técnica pode muito bem ajudar. Aquele que busca ter seus pontos de vistas vislumbrados, necessita encontrar a técnica pela qual sua expressão vai fluir de si para os outros. Raro aquele que se alimenta apenas do haver de sua produção, desse encontro com o vazio. Há sempre um retorno a angústia que bate quando a crítica aparece. Todavia a técnica não pode mais estar engessada e a serviço apenas da razão. O inesperado e o inconsciente também trazem recursos necessários para se aprimorar a ação. É um instrumento, um ângulo, um tempo, são várias as ferramentas que levam ao acaso.
Entretanto, no caso de ações de arte pública, a técnica não está no como desenhar sobre um muro, mas em escolher qual muro, qual pedaço do muro. Em qual esquina estará sua intervenção, quem serão aqueles afetados, são questões técnicas tão importantes quanto qual suporte, qual tinta, qual traço será usado para executar a obra. No caso de uma intervenção urbana, com intenções de interagir com anônimos, a intuição irá dizer muito o que fazer e pensar no que será feito, também ajudará muito no desenvolvimento de qualquer ação.

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Tuesday, June 24, 2008

Desterritorializando

A imagem que segue é reconhecida por poucos, mas estes não fazem parte de um segmento qualquer, que esteja localizado em qualquer parte do globo. Esta imagem foi criada por um brasileiro. Ele participa de comunidades virtuais e a distribui para vários membros, seus contatos. Estes estão espalhados por várias partes do mundo. Eles então, pegam esta imagem e interferem em suas comunidades. Tiram fotos e a enviam ao autor aqui no Brasil. Por fim, o criador de tal imagem, posta a foto de sua criação espalhada por várias cidades e locais a redor do mundo.
No caso dessa imagem, muito mais modesto foi o seu caminho. Em um dia qualquer, o autor encontrou com um desconhecido em uma praça pública. Eles se identificaram por que um colava seus sticks e outro reproduzia stencils na mesma praça. Por mais que fossem técnicas diversas, ambas se encontram na contemporaneidade e na possibilidade de intervir na paisagem urbana. Um ficou com o stencil e outro com stick. Cada um levou ao seu nicho o trabalho do outro e se deu assim, a rede.

Stick colado na porta de armário de uma academia de ginástica (Juiz de Fora - MG)

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Tuesday, June 17, 2008

Onde está a sujeira?

Em um livro intitulado “Mal-Estar na civilização”, Sigmund Freud aponta para um princípio chamado de REALIDADE. Ele ocorre quando percebemos que existe diferença entre a nossa parte interna, o que ele denominou EGO, e o que há fora - os outros, a sociedade, as ruas. Entretanto, o estudo psicanalítico aponta para uma ligação imanente (sem espaço ou dicotomia) entre o dentro e o externo. A nossa consciência seria a ponte para a passagem de um lugar ao outro. A partir dela, conseguimos distinguir o que habita nosso interior e o que os sentidos sentem do lado de fora.
Seguindo esta linha, temos também um outro apontamento que sugere um espelhamento do dentro com o fora. Ou seja, nós acabamos por reproduzir à nossa volta o que está sendo sentido, pensado, armado por dentro. De uma forma bastante simples e que não deve ser utilizada como regra, se temos um quarto sujo, bagunçado, desleixado, isso pode estar dizendo muito do que somos ou do que estamos vivendo neste momento.
Com a urbanidade ocorre algo parecido. Os movimentos de exteriorização do que há dentro, estão diretamente ligados ao que vivemos hoje em dia na sociedade. Se há sujeira nas ruas é por que o nosso corpo de cidadãos não enxerga limpeza nas administrações públicas. Não necessariamente aquele tipo de limpeza com vassoura e carrinho, mas sim, nas questões ligadas à moral e ao exercício do bem público para a comunidade.
Ao mesmo tempo, por mais que haja uma certa distância - a princípio - entre o mundo virtual e a cidade, ambos são ambientes que vivem um novo momento: a sociedade da informação. É a comunicação dos fatos, dos acontecimentos, dos sentimentos, dos pensamentos que influenciam tanto um quanto outro meio. Se algo ocorre na cidade, pode muito bem ser replicado na WEB. Da mesma forma, o movimento contrário. E assim, a intervenção pública, algo que sempre foi discretamente praticada com um senso de protesto, contestação política ou mesmo, arruaça, passa hoje a ter seu sentido mais esclarecido, como uma vontade do cidadão de interferir no meio público, como forma de manifestar a sua expressão individual e também, sua parcela de contribuição para o bem comum.
Esse movimento é mundial, globalizado, ocorrendo em todos os cantos do planeta, principalmente, nas grandes cidades. O usuário toma como referência os muros grafitados em outros locais e passa a intervir em sua própria comunidade, ligando ainda mais a sociedade de informação, transformando a teia urbana em uma só conjugação. Tóqui, Roma, Madrid, São Paulo se parecem mais hoje em dia, muito mais pelos graffitis e intervenções do que necessariamente, por seus prédios comerciais, suas ruas abarrotadas de gentes ocupadas e trânsito enlouquecedor.

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Wednesday, June 11, 2008

O triste fim de um palhaço esquecido



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