Na Penumbra se fez a Luz
Além dessa ingenuidade e covardia de ambas as partes - de quem espera e de quem não faz, existem outros fatores inerentes às vicissitudes sofridas pela sociedade que fazem as flores de lótus surgirem em muros, ruas e avenidas. A velocidade descomunal, os compromissos e a eficiência produtiva-financeira nos colocam mentalmente uma barreira estética em relação às ruas e àqueles que estão nela, descalços de automóveis, transporte público e outros veículos. O olhar das pessoas se centra nas coisas. Ou seja, sua atenção é nos carros, nas motos, nos sinais, aflitos para continuarem o caminho e, por isso, esquecem do que há na urbe. Todavia quando um personagem anônimo da coletividade vem e modifica a paisagem, o desconforto do diferente não consegue provocar a natural indiferênça com as peças do mobiliário urbano. Muitos, inclusive, se revoltam, ficam indignados e culpam a juventude. Mas os mesmos não conseguem enxergar que a verdade é que são eles próprios, aqueles que desolaram a comunidade com os interesses pessoais sobretudo e que, obssessivamente, constroem o mesmo caminho paralisante e repetidor, que são os responsáveis pelo caos e sujeira acumulado. E vamos além, essas mesmas mensagens, alocadas em locais diversificados do habitual, são elas que provocam o olhar, o senso estético, a própria vontade de mudança. E é por isso que evocamos a deusa perecividade, é Shiva a nossa rainha que nos conduz e avisa:
Nada é permanente, tudo é impermanente. Há espaço para mudança e há força para tal. A potência vem de dois lados: de um é racional, consciente, faz parte do exército da criação interna, reflexiva e de outro, inconsciente, devastador, natural, são as forças da natureza agindo sobre o nosso estado, sobre a nossa pequinez. O que nos basta é fazer a escolha: transmutamos com nossas forças ou esperamos que as forças externas façam sua devastação?




